quinta-feira, 30 de agosto de 2007

encalhado mas cultural: sugestões de menu


encalhado no precipío, respirou fundo
entalhou um desejo na grande tela da sala escura de projeção:
Fahrenheit 451 de François Truffaut
saiu para dar uma mijada e viu um gibi:
Bob & Harv - Dois Anti-heróis Americanos de Crumb e Pekar
voltou, mas o filme já tinha começado, perdeu parte e não entendeu o resto
saiu
saiu e foi embora
no carro, com chiado, ouvia seu velho toca cassete:
Street Legal de Bob Dylan
estava em Campinas e parou na Sociedade Alternativa para tomar um drink




.:truffaut por david levine:.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

terça-feira, 21 de agosto de 2007

atiraram pela janela. capítulo 5

[uma pausa para saber a estranha origem de uma sopa de tintas e fotografias]

ele bebeu uma mistura estranha
estranha pois era azul
mas também era vermelha
e outrora amarela
ele apenas bebeu
bebeu
e tudo que fez foi baixar a cabeça

quando ergueu, tirando o vômito do queixo
revirou
revirou e deu uma longa gargalhada
e roubou uma pincelada
e pintou uma lata
eram os anos 70
eram
não são mais
não mais
não

Mas uma sopinha qualquer acabou ficando na memória
na memória
na memória e nas prateleiras
quem nunca viu uma lata de sopa Campbell´s?


.:andy warhol paint:.

enfie sua cara em um prato desta sopa de tomate: http://www.campbellsoupcompany.com/history.asp

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

‘Noite Estrelada’, uma obra de um doente mental

No limiar de 1889, Vincent Willem estava internado num hospital psiquiátrico. Amigo, era triste ver a masmorra em que meu irmão vivia. Era sofredor. E ele já sofria muito, em seu mundo particular. Uma loucura insensata. Sem coerência... até mesmo em suas obras psicodélicas. Obras psicodélicas, o que não era de seu feitio. As velhas paisagens estavam até perdendo a vida, a suma existência. A coesão e coerência embrenhavam-se nas profundezas da escuridão.

Em Saint-Remy, seu quarto era privado de objetos que pudessem se tornar de alguma forma, uma arma lúgubre. Lembro da enfermeira prostrar irreverência aos seus materiais artísticos. Até pastinacas de tintas vivas poderiam ser usadas de forma errônea. Eram tintas tóxicas. Mas meu irmão Willem não cedeu à controvérsia de sua liberdade de expressão.

Primeiro pintou uma praia. E sentou-se no chão transbordando em gargalhadas descomedidas e jorrava verbetes sem sentido aos ares. Depois levantou e deixou o céu cobrir a cena, como um manto de veludo. Capturou a alma e riu novamente. A tinta espirrando para todos os lados faziam dos quatro cantos da sala, paisagens minudentes. Cada uma expressando um momento de discernimento de meu irmão. Depois colocou as bailarinas sobre o veludo. Cada estrela compunha um arranjo especial, único e expressivo. Reprimiu-se mais uma vez e novamente, voltou a esbeltar verbetes sem coerência. Mas Willem não se deu por vencido, integrou-se novamente às suas ferramentas e pintou novas estrelas, mas estas não eram estrelas comuns, vagando no manto celeste. Eram luzes terrestres, postes de luzes que esculpiam uma velha calçada à beira de uma baía. Uma baía cujo mar fazia ondas através do pincel e da tinta que escorria da última loucura de meu irmão.

Algumas pessoas chegaram a questionar o que teria levado meu irmão até Saint-Remy. Eu digo que foi o crime irresoluto que por alguns pormenores preenchidos entre as colunas do mais importante impresso de Paris, alegam ter sido cometido pelo meu próprio irmão, mas que por vestígios apresentados por ele mesmo, chegam a provar o oposto. E a obra estava terminada, faltavam poucos dias para meu irmão deixar a vida.

E então, ele me escreveu uma carta que continha os seguintes dizeres: "Eu pinto como um meio de tornar a vida suportável... Na realidade, nós só conseguimos falar através de nossas pinturas." Mas nem através da pintura, Willem conseguiu saber o que queria. Uma interrogação a qual vinha matutando constantemente. Muitos alegam que o estopim do tiro que meu irmão deu em si próprio foi a causa da morte. Mas digo, meu irmão já estava morto e tudo porque ele só queria resolver um enigma. Algo que eu também gostaria de saber. Quem cortou a orelha de Van Gogh?


E tudo que restou naquele momento foi uma noite estrelada.


.:por acaso estava na internet...:.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Tim Burton para crianças


.:leiam: o triste fim do pequeno menino ostra:.

uma animação de tim burton

»www.youtube.com/v/fxQcBKUPm8o

tim burton e o menino ostra

Tim?
você está aí?
a sombra aumenta
aumenta
a sombra
não vejo sua cabeça
tem um corvo sobre seu pescoço
um corvo
Tim? responde por favor

devo anunciar?
anunciar
ou cortar com as mãos de tesoura
Tim?

enquanto a voz sombria não retorna do precipício
vou descobrir como aconteceu o triste fim do pequeno menino ostra



.:'tim burton' na visão de bill sienkiewicz:.
Tim Burton assumiu: "tenho medo de palhaços"

domingo, 5 de agosto de 2007

[algumas dicas] a pistola cor-de-rosa que deu um tiro no escuro

um tiro no escuro
o crepúsculo gritou
a lua caiu
foi um sangue de areia branca pelo mar de lágrimas e suspiros
ninguém estava lá
ninguém
ou será que havia alguém



chamem o inspetor
disseram as vozes sombrias
chamem o inspetor
talvez ele saiba de algo
talvez ele descubra a verdade
a verdade
e ele anunciou... assista "A Pantera Cor-de-Rosa" de Blake Edwards
e ele resmungou... escute "The Cat" de Jimmy Smith
e ele sussurou... leia "A Pistola Volcanic" de Scott Morse

e então foi embora sem solucionar caso algum!