sábado, 21 de julho de 2007


pense nisso, por favor !

Um comentário:

Paulo Castro disse...

Igor:

Dei uma lida. Segue um perfil e isso em arte é bom pra caramba, pois é um estilo. Se o estilo é único, ou pouco utilizado, melhor.
Aqui, ficamos entre a poesia e o filme. Sem que seja uma coisa ou outra. Lembra um livro do Mutarelli, "O Nati-Morto", e Mutarelli é um desenhista que ousou na literatura, com grande acerto, inclusive quando foi pro cinema, no "Cheiro do Ralo".
Essa "miscigenação" de artes sempre, até onde eu conheço, cria coisas boas. Os contos de Antonelli não tão bons quantos os filmes, e em "Prazer dos Olhos", Truffaut mostra ser um ensaista muito sensível.
O que quero dizer? Que vc vem me trazer ainda mais certeza sobre a hipótese benfazeja das artes que se unem.
Uma marca de estilo, quase que de forma, é a repetição da palavra ( com o mesmo significante, ou mesmo significado, como na "arma" e "espingarda") entre um verso e outro, como se cada um fosse um fotograma, a mínima parte de um filme, como o fonema é da fala com sentido. Isso dá um charme de ...desenrolar a cena, algo musical: um objeto que aparece no final de uma cena mínima, surge no início da próxima, sendo que essa gerará outro objeto ao seu final.
Efeito de brilho estilístico no processo de colagem das suturas metafóricas.
E como o mais absurdo é descrito por vc com naturalidade( ou firmeza de quem sabe segurar a câmera na boca do crocodilo), a repetição do objeto traz uma aparente segurança ao leitor ( "Nada de novo vai me esperar no verso seguinte"), e aí que ele se engana, sendo conduzido sem dor para festas com macacos oferecendo copos de ópio.
E termina o "filme", com o "espectador" no mais estranho ambiente, a assombrada sala de cinema da linguagem que se permite, com destreza, Igor, ser arte. Qual delas ? A união atritosa ( faísca ) delas.
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